A história do artista-cyborg, Neil Harbisson

Com apenas alguns anos de vida, Neil Harbisson já conseguia notar que não era como os seus colegas de escola, mas não era capaz de identificar com exatidão o que o tornava tão diferente dos demais. Anos depois, até mesmo os médicos tiveram dificuldade em chegar a um diagnóstico correto para Neil, que chegou a pensar que possuía déficit de atenção e daltonismo antes de descobrir que, na verdade, o seu problema se tratava da condição acromatopsia, uma anomalia que só permite enxergar em preto e branco.

No início da vida adulta, já acostumado com sua condição rara e pouco conhecida, Neil Harbisson entrou para a prestigiada Dartington College of Arts, que foi onde ele teve o primeiro contato com a cibernética, através de uma palestra que assistiu por acaso. Muito interessado pelo tema e entusiasmado com as chances criadas pela tecnologia de ampliar as suas percepções sobre as cores, Neil decidiu falar com o especialista em cibernética Adam Montandon, que estava nessa palestra, e conhecer mais sobre a possibilidade de usar a tecnologia para minimizar a acromatopsia.

Através do apoio e do auxílio do especialista, Neil tomou a decisão de implantar um "eyeborg" diretamente no crânio, que é uma espécie de sensor que consegue captar  as frequências de luz e converte-las em frequências sonoras. Sendo assim, mesmo não enxergando as cores, Neil Harbisson começou a escutá-las, o que estimulou a criação das obras de arte desenvolvidas por ele desde então.

A vida como um cyborg

Com a implantação do "eyeborg", Neil Harbisson ganhou o status de "cyborg", expressão que representa pessoas que possuem alguma estrutura cibernética dentro do corpo. Mesmo com os benefícios dessa tecnologia, que permitem que Neil realize várias ações automaticamente, o artista declarou ao jornal The Guardian que passou por situações desagradáveis até se adaptar a essa nova condição. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, os cyborgs não ganham poderes especiais e a habilidade de jogar jogos de cassino online com a mente, por exemplo.

Segundo o artista, foi difícil se acostumar com as frequências acústicas das cores e percebê-las de uma forma mais natural. Contudo, após alguns meses de adaptação, Neil começou a aproveitar as vantagens de seu "eyeborg", como conseguir diferenciar as cores de uma lixeira orgânica e ainda identificar qual é a torneira de água quente a partir de sua cor.

Atualmente, Neil Harbisson já esta a cerca de quinze anos com o "eyeborg", e passou a atuar como um ativista em prol dos cyborgs, que é algo que ainda gera muitas dúvidas nas pessoas. No ano de 2004, por exemplo, Neil contribuiu para que os cyborgs conquistassem o direito de manter os seus sensores eletrônicos nas fotos tiradas para o passaporte. Depois de muito protestar, o artista provou que o sensor não é somente um acessório, mas uma ferramenta que melhora a qualidade de vida de quem a utiliza.

Iniciativa a favor da causa

Devido a sua posição de liderança na conquista de mais espaço para a causa dos cyborgs, Neil Harbisson decidiu criar a entidade Cyborg Foundation, a qual tem o intuito de oferecer apoio as pessoas que desejam passar por esse processo de transição, além de incentivá-las a desenvolver trabalhos voltados para a arte.

Através dessa fundação, Neil deseja conscientizar um número cada vez maior de pessoas sobre o assunto, romper os preconceitos que ainda permanecem enraizados e garantir que os cyborgs sejam tratados com respeito pelas autoridades do governo.

Fontes:

Postado por Joel Howell
2018-10-25